Rosa Azul 20-Agosto-2009
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E mais uma gota vem de longe e lhe atinge em cheio.
Rola pela sua face lisa e macia até chegar ao extremo.
A pequena gota se pendura inclinada a cair até o chão,
Mas aquela pétala de rosa azul não quer deixar ela ir.
-
É como uma lágrima que escorre pelo rosto até o queixo.
Quando não encontra mais onde rolar, ela para e aí é o extremo.
Fica pendurada pedindo deixar o rosto com sua tristeza.
-
E por fim, …, cai, bela e rápida.
Cai no chão, com um estouro de felicidade.
Mas logo é seguida por outras gotas… e a tristeza continua.
Queria Ser 20-Setembro-2008
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Queria ser mais paciente.
Ser gentil, simpático.
Deixar de lado toda arrogância.
Amar, com todo meu coração.
-
Queria não olhar com indiferença.
Co-existir em perfeita harmonia.
Nunca brigar, nunca mal tratar.
Nunca humilhar, nunca desmerecer.
-
Tudo isso por você.
Apenas por você, eu queria ser.
O Velho do Calçadão – Parte 2 Final 13-Setembro-2008
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- Certo, então aqui vai:
Amor é um fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.
É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.
É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.
Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?
Quando terminei o senhor estava com uma expressão extremamente emocionada. Fiquei um pouco envergonhado pois nem todo mundo sabe apreciar uma poesia, e a maioria dos homens dizem que poesia não é coisa de homem. Mas, quebrando o gelo, meu novo colega disse:
- Renato, sou um amante da poesia. Quando você falou de Camões logo me veio a mente este poema que já conhecia. Até porque acredito que este seja o Soneto mais famoso de Camões. Mas mesmo assim deixei que você o recitasse. Estou emocionado pelo modo como você o recitou. Você falou não apenas com a boca, mas principalmente com o coração. E foi isso que me admirou.
- Agradeço o elogio senhor João. Então vejo que o senhor também é um amante da poesia assim como eu. Mas me responda, respondi sua dificílima pergunta?
O senhor me fitou com um olhar forte, e depois de um suspiro disse:
- Filho, sua emoção ao recitar o poema por si só já é uma resposta. Em minha opinião, se isto não responde á minha pergunta, sinceramente, não sei mais o que responderia. Se todos no mundo tivesse esse amor que vejo através dos seus olhos, tenho certeza de que o mundo seria um lugar melhor.
- É, seria ótimo se todos amassem uns aos outros… Mas é uma pena…
Logo em seguida o senhor olhou apressado para o relógio.
- Filho, adorei lhe falar, gostaria de lhe encontrar mais vezes para conversar, sinto que temos muito o que aprender um com o outro. Mas agora já tenho de ir. Saí apenas para dar uma volta, e … nossa… lhe encontrei aqui, isso foi maravilhoso sem dúvida. Adeus garoto. Apareça mais vezes por aqui, pois sempre estou por aqui também.
- Também gostei de conversar com o senhor. Com certeza virei aqui mais vezes para que possamos conversar mais e mais. Adeus senhor João.
O senhor fez um sinal com a cabeça, virou-se e foi embora. Não demorou até que desaparecesse na escuridão.
Fiquei mais um tempo ali, pensando. Quantas vezes saímos de casa apenas para arejar a mente, rememorar bons momentos e pensar um pouco na vida? E quantas vezes encontramos alguem com quem conversar que compartilhe as mesmas idéias ou até mesmo um gosto que temos?
Levantei-me. Agora a garoa já estava um pouco mais pesada, não dava mais para suportar ali a céu aberto.
Acabei indo embora também. E mesmo com a garoa, agora quase uma chuva, a noite estava linda. Quase perfeita…
O Velho do Calçadão – Parte 1 6-Setembro-2008
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Certa vez eu estava passeando para arejar a mente. Já era tarde quase noite e fazia muito frio. Depois de um pouco mais de uma hora de caminhada me encontrei em um lugar que tantas vezes já havia visitado. O lugar que muitas felizes vezes me encontrei com minha bela dos olhos cor de esmeralda.
E agora, sem pré meditação, estava eu ali, novamente depois de quase cinco anos que não lhe via mais. Sentei num dos bancos de cimento. E rememorei tudo o que havia passado ali. Bons momentos em bons tempos que nunca mais voltarão. E aquele banco, aquele lugar ainda tinha a química, a mágica dos velhos tempos.
Não demorou e logo avistei alguem vindo. Era difícil de identificar, já estava escurecendo, me relógio marcava 19:22 e começava a cair uma leve garoa. A pessoa que reconheci sendo um senhor de uns 60 anos veio em minha direção com seu andar calmo. Percebi que assim como eu, aquela pessoa talvez estivesse procurando um lugar para pensar um pouco, ou mesmo alguém para conversar.
Ao passar por mim gentilmente me cumprimentou com um “boa noite” meio rouco. Respondi-lhe o cumprimento. Logo depois de minha resposta o senhor me perguntou se poderia sentar-se comigo. Confesso que achei estranho seu pedido, mas acabei cedendo.
Ficamos algum tempo sem nos falar, até que o senhor quebro o silêncio com um pergunta até um tanto intrigante:
- Meu jovem. Você acredita no amor?
Me voltei para o senhor com um olhar um tanto impressionado. Ele com um sorriso discreto disse:
- Me desculpe. Meu nome é João. E o seu?
- Renato. – Disse eu com um olhar não tanto impressionado agora.
- Então Renato. Você acredita no amor?
- É uma pergunta difícil. Mas sim, acredito no amor. Mesmo que ás vezes acredito que o próprio amor não acredita em mim.
O senhor me olhou com uma cara de espanto. Mas não tão espantado. Depois de me fitar por um breve momento ele disse:
- Então você saberia me dizer o que é, o amor?
Mesmo estando falando com um desconhecido, me encontrei tentado em responder sua pergunta. Pergunta essa que não é tão óbvia e que com certeza iria gerar uma boa discussão sobre o assunto. Então, pensei um pouco. E respondi:
- Acredito que o amor é o sentimento mais puro que pode existir. É inexplicável. O amor foge da lógica. Não é possível dizer o porque você ama uma pessoa. Apenas dizemos que amamos e ponto. É um sentimento gentil, humilde, sincero. Existe um poema do qual eu gosto tanto que até cheguei a decorar. E nesse poema o autor (Luís de Camões) tenta dar uma prévia do que seria o amor para ele. Assim, como Camões definiu o amor é justamente no que acredito que o amor seja. Se o senhor quiser, eu poderia recitá-lo agora.
- Certamente! – Disse o senhor com um semblante que mostrava um grande empolgação.
parte 2.. na semana que vem!
Velhos Amigos 24-Agosto-2008
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Choramos no ombro um do outro.
Compartilhamos confidências e segredos.
Nos elogiamos, nos odiamos,
Nos amamos.
-
Seríamos, fomos, éramos
Velhos amigos.
Amigos de infância, amigos de segredos.
Mais que amigos.
-
Aprontamos coisas, talvez erradas.
Mas sempre tinhamos um ao outro.
Um apoiava o “erro” do outro.
Um dava força ao outro.
-
E foi sempre assim, sempre.
Quando éramos velhos amigos.
Não é Uma Carta de Amor 14-Agosto-2008
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Os pensamentos vão e vem em alta velocidade em minha mente. Ou será que na verdade eles nunca se foram? A segunda hipótese talvez seja a mais plausível de todas elas. Isso explicaria tudo.
Vivo coisas que nunca vivi, mas também vivo coisas que já passaram, revivo. Bons momentos em quase todo tempo.
O sorvete que compartilhamos na fria noite de inverno, as tantas outras coisas engraçadas, as seções de cinema que passamos e repassamos.
Tudo Senhorita lhe devo e agradeço imensamente. Gostaria que pudesses ler isto antes de todos. Não! Não é nenhuma carta de amor. Entenda isto como um desabafo de alguém que nunca teve tempo de relembrar enquanto era tempo, sendo este bom ou não.
Todos os dias sem exceção, acordo e durmo em seus braços. Teríamos dado muito certo.
O que resta é apenas lembrar e relembrar histórias e mais histórias de coisas que com certeza em uma noite de inverno eu teria vivido se ao menos a tivesse conhecido. E o sol voltaria a brilhar novamente, e mais e mais.
Sempre radiante como seu fino rosto que tantas vezes em pensamento beijei. Assim como seu macio colo que tantas vezes deitei-me quando tinha uma problema e você com sua calma e compreensão, sempre dizia que tudo iria passar e melhorar. E com um simples beijo me fazia voltar a ter calma e paciência novamente.
Havia pensado na noite passada milhões de coisas para te dizer e assim fiquei aguardando a sua visita com a minha melhor roupa e uma rosa que roubei no jardim da igreja.
Mas você não veio.
#2 – Sem Título 9-Agosto-2008
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Não quero que acabe assim.
Nem ao menos começamos,
Mas já sinto sua presença mais fraca.
-
Longo, longe, distante, se afastando.
Os sonhos que iríamos construir se foram.
O beijo que não lhe roubei, …, sinto falta…
-
Nossa novela nunca começará…
E não lhe escreverei poemas de amor.
Não, não mais escreverei…
#1 – Sem Título 31-Julho-2008
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Como poderei viver sem ti?
-
Ainda vejo teus olhos em mim, e sinto
Toda sua delicadeza ao dizer meu nome.
-
A cada dia que acordo e não lhe vejo,
Meu coração se parte e chora, chora…
#1 – O Começo 25-Julho-2008
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Nós nunca queríamos que as coisas continuassem desse jeito. Foi por esse motivo que nos separamos dois dias após o “casamento”, ou pelo menos dois dias após a sua data.
Tudo começou quando nos conhecemos em uma convenção de ovnis há dois meses. Ela estava exuberante com sua calça jeans e jaqueta com os belos louros cabelos escorridos como o macarrão do dia de domingo. Estávamos assistindo á uma palestra sobre uma teoria até um tanto “interessante” sobre como seriam os alienígenas – se eles realmente existem – lembrava o incrédulo palestrante.
Ao final da palestra, algumas pessoas se juntavam formando as famosas “rodas de conversa” para discutir um pouco mais sobre o assunto, e claro, trocar algumas idéias. Foi ai que nos conhecemos.
Eu estava junto com uns outros dois colegas discutindo o quão ridícula havia sido aquela palestra. Neste momento Ela ia passando próximo a nós e parou. Delicadamente pediu licença e por fim acabou concordando e discutindo idéias conosco.
Estávamos pasmados, afinal de contas, as mulheres que vão a esse tipo de evento não são das mais belas. São bonitas sim, mas não tanto quanto Ela.
Ao passar um pouco da meia-noite o frio já estava bem mais intenso, então decidimos procurar alguma lanchonete que estivesse aberta para que pudéssemos comer algo, pois nossos estômagos já estavam cantando há muito tempo.
Logo após o primeiro salgado meus colegas resolveram se despedir, já era mais de uma da manhã e eles tinham família para cuidar. Claro que suas pacientes esposas não tinham tanta paciência assim para esperar o cônjuge durante tanto tempo e tão tarde da noite.
Ficamos então somente eu e Ela. Pedimos outro hamburger e outro refrigerante – realmente estava ótimo o hamburger – como no outro dia eu estava livre, sem compromisso algum, não tinha pressa nenhuma em chegar em casa. Essas são as vantagens de ser solteiro e morar sozinho. Automaticamente você ganha a liberdade e o direito de pensar apenas em você e em mais ninguém.
Entre uma mordida e outra, começamos a conversar sobre literatura, especialmente alguns poetas dos quais chegamos a conclusão que gostamos muito.
Continua…
